Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP divulgaram em 10 de abril de 2026 um resultado que reposiciona o debate sobre creatina. O suplemento melhorou potência em esforço explosivo, mas não trouxe ganho cognitivo.
O estudo envolveu adultos jovens, saudáveis e fisicamente ativos. Para leitores da Zona Sul, onde academias, estúdios e assessorias esportivas disputam alunos, o achado mexe com uma promessa muito vendida.
Segundo o registro científico, a creatina monohidratada elevou a potência média e de pico no teste de Wingate, sem diferença entre homens e mulheres.
| Ponto analisado | Resultado | Número-chave | Origem |
|---|---|---|---|
| Participantes | Voluntários saudáveis | 40 pessoas | USP/FMUSP |
| Protocolo | Creatina ou placebo | 20 g/dia por 1 semana | Estudo clínico |
| Potência média | Houve melhora | 526 W para 570 W | Teste de Wingate |
| Potência de pico | Houve melhora | 738 W para 797 W | Teste de Wingate |
| Cognição | Sem efeito detectável | 0 ganho consistente | Stroop e Trail |
O que a pesquisa da USP mostrou?
O trabalho foi conduzido por pesquisadores ligados à Escola de Educação Física e Esporte e à Faculdade de Medicina da USP. A publicação saiu online antes da versão final da revista.
Os voluntários passaram por três visitas. Depois da familiarização, foram separados para uma semana de suplementação com creatina ou placebo, em desenho paralelo.
Na etapa física, o grupo suplementado apresentou melhora relevante em desempenho explosivo. A potência média subiu de 526 watts para 570 watts.
A potência de pico também avançou. Saiu de 738 watts para 797 watts, dado que reforça a associação da creatina com exercícios curtos e intensos.
- Melhora observada em esforço de 30 segundos.
- Efeito visto em homens e mulheres.
- Amostra formada por jovens ativos e onívoros.

Por que o efeito cognitivo não apareceu?
Os pesquisadores aplicaram testes clássicos de atenção e função executiva antes e depois do esforço. Nessa parte, a creatina não mostrou benefício mensurável.
Foram usados o Stroop Colour and Word Test e o Trail Test. A análise aponta que não houve efeito do suplemento sobre essas tarefas cognitivas.
Os autores levantam uma hipótese importante: pode ter ocorrido efeito de aprendizagem. Em outras palavras, repetir os testes pode ter mascarado qualquer benefício pequeno.
Esse ponto conversa com outra revisão recente. Em abril de 2026, uma meta-análise sobre função renal em ensaios clínicos randomizados reforçou como a discussão científica vem ficando mais específica.
- Desempenho físico e cognição não respondem da mesma forma.
- Resultados positivos em academia não significam melhora mental automática.
- Promessas amplas de marketing tendem a simplificar demais a evidência.
O que muda para quem usa creatina depois dos 50?
O estudo da USP não foi feito com pessoas acima de 50 anos. Por isso, extrapolar o resultado para esse público exigiria cautela.
Ainda assim, o trabalho ajuda a separar expectativas. Quem busca explosão muscular pode encontrar fundamento mais sólido do que quem espera foco, memória ou raciocínio melhores.
Em bairros como Santo Amaro, Saúde, Jabaquara e Campo Belo, a creatina circula em farmácias, lojas de suplemento e treinos personalizados. O novo dado pode influenciar a conversa entre consumidor e profissional.
Também pesa o recorte do exercício. O próprio artigo registra que o benefício apareceu em uma prova curta, intensa e padronizada, não em qualquer situação do dia a dia.
- Defina o objetivo principal do uso.
- Verifique se a meta é força, potência ou cognição.
- Confronte promessas comerciais com o estudo específico.
Qual é o impacto prático dessa notícia?
O achado mais forte não é que a creatina “funciona” ou “não funciona”. É que ela funciona melhor para um tipo de resultado bem delimitado.
Para o mercado, isso reduz espaço de mensagens genéricas. Para o leitor, melhora a tomada de decisão num momento em que o suplemento virou item comum fora do fisiculturismo.
Na prática, a notícia que sai da USP em 2026 é direta: creatina monohidratada ganhou força como aliada de desempenho explosivo, mas segue sem confirmação robusta como atalho cognitivo.
Esse recorte deve pautar a próxima onda de discussões em consultórios, academias e grupos de corrida da Zona Sul, onde a creatina já deixou de ser nicho e virou consumo de massa.
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Sobre o Autor: Hariane Garcia é Nutricionista Clínica e Esportiva, atuando como Personal Diet para atletas, praticantes de atividade física e famílias. Desenvolve estratégias nutricionais personalizadas, com foco em alimentação saudável, performance, equilíbrio nutricional e bem-estar.
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